O meu primeiro nome é Mamã mas o meu nome completo é Mamã Mamã Mamã Mamã.

A nossa identidade muda quando somos mães. E logo desde o momento em que engravidamos.
Antes, somos a mulher. Ana, para aqui. Ana, para acolá. A nossa identidade está automaticamente relacionada com o nome, com a pessoa individual que somos.
Quando engravidamos, atenção. Somos a grávida. “Cuidado com a grávida”. “Deixa a grávida sentar-se!” – e aqui a nossa identidade está sempre associada a uma barriga que carrega um ser e que tem uma vontade desmedida de se sentar.
Depois, a criança ou a criança nascem. E aí somos mães. A mãe que dá de mamar, a mãe que dá suplemento, a mãe que é criticada porque dá fórmula, a mãe que dorme pouco e a mãe que dorme pouco (aqui não há alternativa).
Quando vão para a escola, é fácil confundir as mulheres porque têm todas o mesmo nome: mãe. Nunca é a mãe Ana ou mãe Luísa ou mãe Matilde.
Confesso que sempre tive a tentação de ligar para a escola e dizer:
– “Olá, bom dia! Fala a Mãe. Queria saber como está tudo por aí.”
É uma inevitabilidade encantadora, essa, de mudar de identidade. Porque, na verdade, toda a nossa vida muda. Nunca haverá um dia em que nos deitemos sem pensar nos filhos, um dia em que não nos preocupemos com o bem-estar ou com a felicidade deles, um dia em que eles não sejam a melhor coisa das nossas vidas. E ainda bem. Não trocava essa minha identidade por nada.

Mesmo naqueles dias em que estou na casa-de-banho a tomar banho, saio a correr porque alguém gritou Mamã Mamã Mamã Mamã e o problema afinal era só o gato que tinha saltado para cima da mesa.
A palavra Mamã nunca vem só. Às vezes vem com restos de shampoo.

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Palavras favoritas.

Às vezes, naqueles pequenos momentos de silêncio, é bom fazer uma pausa para pensar.

Sou fã de palavras. E até tenho favoritos neste campeonato, como todos temos com bandas ou pintores. De certa forma, as palavras pintam-nos a alma e ajudam a musicar os dias. Talvez por isso me prenda a elas, porque me libertam.
São rio quando me acalmo, são ondas em dias de vento. São rasgões de cor em momentos, são riscas de branco na passagem do tempo.
Gostava de poder inventar palavras. De as fazer como alguém já as fez. De escrever saudade no espaço em falta, de acrescentar verbos aos sentimentos sem acção.
Por enquanto, vamos tocando nas palavras como quem toca piano, vamos desenhando letras como quem pinta um quadro. E, no final, guardemos palavras favoritas. Como na vida, alguém no passado foi criando, sorrindo a cada uma delas e dizendo:
– “Caramba, esta é genial.”

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Ir ao supermercado. E agora?

Parece uma interrogação meio idiota. Mas o que antes eram 15 minutos de passeio nos corredores e 20 a escolher o novo amaciador que iria revolucionar o estado do meu cabelo, passa depois a ser uma aventura quase tão grande como ir ao festival do Panda (que, a propósito, é motivo para todo um outro texto).

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Se estão grávidas, experimentem passear no shopping com o cabelo despenteado, uma meia de cada cor e todo um outfit que não faz sentido. O que vai acontecer? Nada.

Mas, com gémeos, uma simples ida ao supermercado é um concerto de uma rockstar.

As pessoas olham para uma mamã com um bebé com a curiosidade de quem escuta o novo álbum de uma banda promissora… Mas olham para uma mamã de gémeos como quem vê os U2 no Live Aid.

Meio exagero, meio motivo de orgulho. Mas é tãaaaaao engraçado. As pessoas olham, naturalmente. São dois!!! São olhares de admiração, muito respeito e alguns interessantes a que chamamos de: “ainda bem que não me calhou a mim”.

E qualquer desalinho no cabelo, qualquer meia trocada, qualquer má escolha de outfit é encarada com normalidade. Coitada, tem dois, não deve dormir muito. Deixa cá ver se os meninos estão bem vestidinhos? Ah, estão. Que giro. São dois.

Uma vez uma senhora veio dar-me um abraço no meio do Continente. “Muita sorte” – disse – e foi-se embora.

Achei amoroso. Sorri, agradeci e entrei no corredor das fraldas. Há momentos que ficam para a História…

E preparem-se. Não vale a pena vestir os dois meninos de azul, as duas meninas de rosa, ou o menino de azul e a menina de rosa. As pessoas vão sempre perguntar o sexo das crianças… E se são gémeos.

Podiam ser só amigos que estávamos a passear… Ou irmãos que nasceram na mesma altura… Ah, espera.

Sim, são.

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SPRAY ANTI-MONSTROS

Se há palavra que nós, mães, estamos sempre a ouvir é esta: fases. São fases. A fase das birras, a fase de não querer dormir, a fase de ser difícil para comer, a fase de gostar mais do pai… Fases!!!!!

Quando a fase é “ter medo de monstros”, fica a sugestão! Nada que um spray anti-monstros não resolva. A decoração fica a cargo dos pais e o interior a cargo da torneira mais próxima.

Boa sorte! Já sabem, é só uma fase…

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